É impossível resolver um problema sem conhecê-lo a fundo. Na minha prática médica, percebo que os pacientes que mais melhoram são justamente aqueles que desenvolvem um entendimento profundo sobre a própria pele. Por isso, considero fundamental explicar que a rosácea não é uma condição única — ela pode se manifestar de formas diferentes, e o sucesso do tratamento depende exatamente disso: identificar precisamente qual tipo de lesão predomina em cada paciente. Neste texto, vamos nos concentrar nos dois subtipos mais comuns: a rosácea eritemato-telangiectásica, marcada por vermelhidão, ardência e sensibilidade cutânea; e a rosácea pápulo-pustulosa, mais comum em peles oleosas, cujas lesões inflamatórias lembram muito as espinhas da acne. Embora um desses padrões geralmente predomine, é comum que ambos coexistam, o que torna ainda mais importante uma avaliação dermatológica criteriosa.
A rosácea eritemato-telangiectásica se manifesta por uma vermelhidão persistente no centro do rosto, comumente associada à presença de telangiectasias (vasos dilatados visíveis). É comum a queixa de ardência, sensação de queimação e intolerância a produtos tópicos ou variações de temperatura. Por ser progressiva, essa forma tende a se intensificar com o tempo, principalmente quando os cuidados adequados não são adotados precocemente.
Já a rosácea pápulo-pustulosa apresenta lesões inflamatórias como pápulas e pústulas sobre uma base de eritema (vermelhidão), geralmente sem presença de comedões. É frequentemente confundida com acne, o que leva à aplicação de sabonetes adstringentes, ácidos ou outros tratamentos inadequados que pioram o quadro. Essa forma exige uma abordagem anti-inflamatória mais intensa e controle rigoroso dos gatilhos que provocam as crises.
O reconhecimento preciso do subtipo de rosácea é essencial para definir o plano terapêutico. A forma eritemato-telangiectásica tende a responder bem a estratégias que reforçam a barreira cutânea e reduzem a reatividade vascular, incluindo ativos calmantes e tecnologias como a luz pulsada. Já a forma pápulo-pustulosa muitas vezes exige medicamentos tópicos específicos, tratamento sistêmico e reeducação dos hábitos de cuidado. O mais importante é saber que, com a abordagem certa, é possível controlar os sintomas, reduzir as crises e viver com uma pele mais estável e confortável. A rosácea pode não ter cura, mas tem tratamento — e tratar bem a pele é tratar melhor a si mesmo.